terça-feira, 19 de setembro de 2017

Melífera

Meu lábios comeram
suas nuas verdades.
Perscrutando atenciosa,
minha mente se alimentou
da semântica da mulher.
E meu olhos colheram
do rosto dela o alimento
das minhas fantasias.

Alimentei meu fôlego
com os suspiros da mulher.
Alimentei minha fé
com os olhares dela.
Ela lembrou-me
que amor é a saciedade da alma.

[Tema]

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O amor é fácil

O teatro das almas
abre-se apenas para
os exacerbados,
ridiculamente sinceros
e sentimentais.
O amor é fácil
no teatro das almas...
é possível observar
as mil personas que
residem no cerne do sujeito.
Olhando-as, nuas em sua sinceridade,
com oculares otimistas,
é possível encontrar
ao menos uma para amar.

sábado, 29 de julho de 2017

Arranjo

O futuro é meu dono,
sua argila grossa molda
minha mãos.
O futuro é meu senhor
e eu sirvo a ele
sempre o meu melhor.

Medida

Se eu falar sobre mim,
no auge da fraqueza,
não há como saber
se o amor fica
ou se apavora.

Se eu falar sobre mim,
no auge da franqueza,
não há como saber
se o amor intensifica
ou se deteriora.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Baderna

Inovar o mistério.
A missão de mil anos,
o compromisso sem prazo.
Mudar enquanto ouço
o passado gritando em estéreo.
Uma vaga,
um estacionamento na memória,
para desenhar a mudança que vira tudo,
a mudança que virá.
Inovar o texto
que me rasga,
o pseudo-poema
que nasce caos
ou morre em pensamento.
Inovar o mistério
é o que preciso.

domingo, 2 de abril de 2017

Conceitual

O cigarro entre meus dedos
é sintoma.
O álcool que aperta
minha língua é sintoma.
A música impregnada
na mente é remédio.
E a doença é um mistério.

terça-feira, 28 de março de 2017

Trincar

Lágrimas envelhecidas
batizam a cama.

Existem dores,
minúsculos demônios,
que aqui se deitam.

Lágrimas venenosas
alagam lentamente
minh'alma.
Existem dores,
maldade invisível,
que me imobilizam.

Mas não há tempo
para sentir.
É tempo de morrer
de dor, de seguir.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Bloco de notas

Essa noite vazia há de acabar. 
O breu do véu vai curar 
essa mania de te relembrar. 
Enquanto a verdade lampeja, 
estrelas vão me consolar. 
A primazia da solidão é de azedar, 
mas um cigarro acesso é companhia. 
E essa noite malina, novo dia vai virar.

terça-feira, 21 de março de 2017

Via paranaíso

Um som ancião chocou
minha consciência,
lembranças ofuscantes
de um céu longínquo
que amei como se fosse mulher.

A canção me sequestrou
para ruas mal acabadas
onde, no pretérito,
minha alma jovem
se contorcia
e meu cabelo
fazia ventania.

Com pacifismo inédito,
visitei o horizonte
de uma vida moça
que hoje carrego
nos meus ombros de mulher.



Elétrica

A irreverência na nudez da mulher
é corrente elétrica que
vibra em meus seios.
Olhos lúcidos, herméticos,
sugerem desafios libidinosos
que estremecem meus dedos.
O tempo derrete,
a realidade se deforma,
mas o tesão, enérgica memória,
persiste elétrico, resoluto.

Os movimentos lânguidos
dos lábios da mulher
são raios que riscam a pele,
o relógio e o pudor.
A história corre,
as mudanças rasgam os laços,
mas o tesão,
fluida sinceridade,
persiste elétrico, resoluto.