segunda-feira, 3 de abril de 2017

Baderna

Inovar o mistério.
A missão de mil anos,
o compromisso sem prazo.
Mudar enquanto ouço
o passado gritando em estéreo.
Uma vaga,
um estacionamento na memória,
para desenhar a mudança que vira tudo,
a mudança que virá.
Inovar o texto
que me rasga,
o pseudo-poema
que nasce caos
ou morre em pensamento.
Inovar o mistério
é o que preciso.

domingo, 2 de abril de 2017

Conceitual

O cigarro entre meus dedos
é sintoma.
O álcool que aperta
minha língua é sintoma.
A música impregnada
na mente é remédio.
E a doença é um mistério.

terça-feira, 28 de março de 2017

Trincar

Lágrimas envelhecidas
batizam a cama.

Existem dores,
minúsculos demônios,
que aqui se deitam.

Lágrimas venenosas
alagam lentamente
minh'alma.
Existem dores,
maldade invisível,
que me imobilizam.

Mas não há tempo
para sentir.
É tempo de morrer
de dor, de seguir.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Bloco de notas

Essa noite vazia há de acabar. 
O breu do véu vai curar 
essa mania de te relembrar. 
Enquanto a verdade lampeja, 
estrelas vão me consolar. 
A primazia da solidão é de azedar, 
mas um cigarro acesso é companhia. 
E essa noite malina, novo dia vai virar.

terça-feira, 21 de março de 2017

Via paranaíso

Um som ancião chocou
minha consciência,
lembranças ofuscantes
de um céu longínquo
que amei como se fosse mulher.

A canção me sequestrou
para ruas mal acabadas
onde, no pretérito,
minha alma jovem
se contorcia
e meu cabelo
fazia ventania.

Com pacifismo inédito,
visitei o horizonte
de uma vida moça
que hoje carrego
nos meus ombros de mulher.



Elétrica

A irreverência na nudez da mulher
é corrente elétrica que
vibra em meus seios.
Olhos lúcidos, herméticos,
sugerem desafios libidinosos
que estremecem meus dedos.
O tempo derrete,
a realidade se deforma,
mas o tesão, enérgica memória,
persiste elétrico, resoluto.

Os movimentos lânguidos
dos lábios da mulher
são raios que riscam a pele,
o relógio e o pudor.
A história corre,
as mudanças rasgam os laços,
mas o tesão,
fluida sinceridade,
persiste elétrico, resoluto.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sonho de azulejo

Planejei incontáveis vezes
o ir e vir dos méritos,
dos seios, livros e músicas.
Desenhei nas paredes cor de gelo
sonhos frágeis e verdades rígidas.
Fiz do coração cronômetro
e praguejei cada segundo de atraso.
Sonhei.
Sonhei demasiado.
Desisti, cansado.
Então meu sonho,
pintado de azul e gelo,
chegou!
Perfeitamente atrasado,
meu sonho de azulejo começou.

Uma realidade

Sigo com os dentes cerrados,
o coração em incêndio
e a (c)alma torta.
Criei-me em ninho resiliente,
a força da minha tristeza
derrete qualquer corrente!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Verdade minha

Meu lugar é aquarela,
água doce e poeira.
Meu lugar é,
ele fica sem estar...
É macio,
areia.
É matreiro,
cerrado.
É laranja,
ensolarado.
Meu lugar é nosso,
companhia
e presença.
Sorri pra toda visita,
é sempre lar.
Meu lugar é mato
e amor.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

plenitude

A senhora me dizia
com seus olhos cuidadosos
e feição amarga:
"Você não vai mudar o mundo, criança."
Eu, atrevida de nascença,
tomei nas mãos
a coragem de ser,
aceitei a dor do destoar e
abracei a solidão que é contradizer.
Mudei o mundo, senhorinha.
Mudei meu planeta.
E no meu coração,
capital de mim,
mora gente da alma mansa,
que cultua todos os amores.
E na labuta me vejo entre amigos
de pensamentos fortes e mentes iluminadas.
A minha revolução, senhorinha,
é pequena e genuína,
assim como a alma infantil que tenho.