Os olhos da manhã
se abriram para o som da sua voz.
O sorriso lento e
o abraço comprometido
são tão leigos quantos as nuvens
e tudo mais que escora o destino.
Despretensioso dia,
aquele e os outros
que sua presença ilustrou.
Inocentes,
as manhãs,
os olhos,
o sorriso,
as tardes.
Nós, não tão inocentes,
escorados no destino.
Contando o contexto
...e digerindo os fatos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Vozes
Nada vale o sacrifício,
mas tudo é sacrifício
desde que a vida foi plantada.
Fugiu do mundo aquela dor de ser,
mas ainda assim não somos crianças,
nem de mente sã desfrutamos,
E ainda há o sacrifício,
e a vida que vale,
outra coisa qualquer
mas não o sacrifício.
mas tudo é sacrifício
desde que a vida foi plantada.
Fugiu do mundo aquela dor de ser,
mas ainda assim não somos crianças,
nem de mente sã desfrutamos,
E ainda há o sacrifício,
e a vida que vale,
outra coisa qualquer
mas não o sacrifício.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Coqueiro
Vento passa, corre, venta...
Vento muda, pra lá pra cá,
ainda venta...
A gente muda pra não quebrar
quando a vida ventar.
Vento muda, pra lá pra cá,
ainda venta...
A gente muda pra não quebrar
quando a vida ventar.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Duelo
Por que questiona-me com esses olhos cheios,
enquanto me disponho íntima e desprotegida?!
Não, meu bem, não convide meus anseios ineptos
para caminhar conosco.
Lhe ofereço sempre a mansidão
e as mil palavras que meu olhos gritam,
então não alimente os meus, nem os seus receios.
Meu bem, nenhum medo foi feito pra receber fé,
só os sonhos merecem alguma devoção.
Não quero que ouça a voz do meu medo,
que lhe responde irresponsável,
enquanto minha paixão lhe abraça,
pois eu ainda não sei quem resistirá mais.
enquanto me disponho íntima e desprotegida?!
Não, meu bem, não convide meus anseios ineptos
para caminhar conosco.
Lhe ofereço sempre a mansidão
e as mil palavras que meu olhos gritam,
então não alimente os meus, nem os seus receios.
Meu bem, nenhum medo foi feito pra receber fé,
só os sonhos merecem alguma devoção.
Não quero que ouça a voz do meu medo,
que lhe responde irresponsável,
enquanto minha paixão lhe abraça,
pois eu ainda não sei quem resistirá mais.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Partir(-se)
Agora que a vida me surge lenta,
massageando minha existência técnica e falsamente vivaz.
Eu existo como se os ossos não pudessem mover o corpo do caos...
E renovado o rótulo, ainda será um recipiente oco
que o sol e a poeira insistem em tocar.
Ainda vão restar as lembranças ameaçando os passos
como uma osteoporose que se estende à alma,
corpo e alma que insistem em seguir sem freio.
massageando minha existência técnica e falsamente vivaz.
Eu existo como se os ossos não pudessem mover o corpo do caos...
E renovado o rótulo, ainda será um recipiente oco
que o sol e a poeira insistem em tocar.
Ainda vão restar as lembranças ameaçando os passos
como uma osteoporose que se estende à alma,
corpo e alma que insistem em seguir sem freio.
Preto
Não é como se houvessem planos,
nem intenções de uma estrada retilínea.
Nunca foram plantados tais sonhos,
ninguém escolhe suas estrelas,
nem todos tem um céu, meu bem.
Não, hoje não é um dia especial.
Não sei do que são feitos os dias,
há algo que se possa acrescentar a eles?
Por que eu penso, durante o dia todo,
que o tempo é um alarme que nunca se desliga
mas nós nunca acordamos realmente.
nem intenções de uma estrada retilínea.
Nunca foram plantados tais sonhos,
ninguém escolhe suas estrelas,
nem todos tem um céu, meu bem.
Não, hoje não é um dia especial.
Não sei do que são feitos os dias,
há algo que se possa acrescentar a eles?
Por que eu penso, durante o dia todo,
que o tempo é um alarme que nunca se desliga
mas nós nunca acordamos realmente.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Afável
Os lábios moviam-se com viço,
tinham um sabor entremeado em sua cor.
Despendiam beijos roxos de pernoite,
desfrutados com volúpia
até que ficassem amarelos, brilhantes
e saciados como a última chama de uma fogueira.
E, enfim, os beijos cinzas, quase transparentes,
com uma essência cúmplice
e a sinceridade dolorida
de ser testemunha do próprio crime.
Entre auroras os vários tons dançavam
sem nunca desbotar.
tinham um sabor entremeado em sua cor.
Despendiam beijos roxos de pernoite,
desfrutados com volúpia
até que ficassem amarelos, brilhantes
e saciados como a última chama de uma fogueira.
E, enfim, os beijos cinzas, quase transparentes,
com uma essência cúmplice
e a sinceridade dolorida
de ser testemunha do próprio crime.
Entre auroras os vários tons dançavam
sem nunca desbotar.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Abriu Abril
Esses dias azuis desbotados
parecem ter um céu d'água
de neutralidade indecifrável,
de futuro maleável
que se confunde na simplicidade
do quente-frio em toda pausa que faço.
Dias, cheios e desnutridos,
de coisas indefinidas,
exaustos e apaixonados
pela mais vaga realidade: a vida (E o que é?).
parecem ter um céu d'água
de neutralidade indecifrável,
de futuro maleável
que se confunde na simplicidade
do quente-frio em toda pausa que faço.
Dias, cheios e desnutridos,
de coisas indefinidas,
exaustos e apaixonados
pela mais vaga realidade: a vida (E o que é?).
domingo, 15 de abril de 2012
Hilo
Como escusa,
digo que a vida
é um farsada!
Aliás, acredito piamente
que esse céu é de vidro
e todo resto que ai está
é apenas retrato pitoresco.
E nós sabemos, meu caro,
que isso é bem mais plausível
que os nossos sentimentos.
digo que a vida
é um farsada!
Aliás, acredito piamente
que esse céu é de vidro
e todo resto que ai está
é apenas retrato pitoresco.
E nós sabemos, meu caro,
que isso é bem mais plausível
que os nossos sentimentos.
Folclore
Houve um tempo
e, depois desse,
os outros tempos não passaram.
Então forjaram milagres
e coloriram o
preto e branco dos pecados.
Mas o tempo,
amedrontado e submisso,
não mais morria.
E a covardia das almas
não permitia a atrocidade
de despir as ilusões...
Nasceu a mágoa.
e, depois desse,
os outros tempos não passaram.
Então forjaram milagres
e coloriram o
preto e branco dos pecados.
Mas o tempo,
amedrontado e submisso,
não mais morria.
E a covardia das almas
não permitia a atrocidade
de despir as ilusões...
Nasceu a mágoa.
sábado, 14 de abril de 2012
Aurora
Deusa metafórica,
curva-se na aurora
e se contorce,
de novo e de novo.
E não há nada literal
que a defina como o palato.
curva-se na aurora
e se contorce,
de novo e de novo.
E não há nada literal
que a defina como o palato.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Certo
Quando as pétalas caem
e os encantos também,
fogem de mim as escolhas.
Mas já sabem os místicos
que não desgasto minha falsa crença
nessas vãs oscilações.
Deixo que sejam levadas pelas águas,
das velhas correntes e das novas chuvas,
todo receio que meu vítreo coração
não aceita mais alimentar.
e os encantos também,
fogem de mim as escolhas.
Mas já sabem os místicos
que não desgasto minha falsa crença
nessas vãs oscilações.
Deixo que sejam levadas pelas águas,
das velhas correntes e das novas chuvas,
todo receio que meu vítreo coração
não aceita mais alimentar.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Colapso
Eles vem a mim
com a sua feição mais pedinte
para exigir delicadamente que eu diga
,a eles e a mim mesma, o que penso.
Eles vem a mim
com esperanças e expectativas,
mas me pedem a verdade...
Eu compreendo
e mostro o que em mim
é trilho aberto e
mantenho os terminais fechados.
E com o meu par prometo,
que a cumplicidade será constante
enquanto a vontade é incessante.
com a sua feição mais pedinte
para exigir delicadamente que eu diga
,a eles e a mim mesma, o que penso.
Eles vem a mim
com esperanças e expectativas,
mas me pedem a verdade...
Eu compreendo
e mostro o que em mim
é trilho aberto e
mantenho os terminais fechados.
E com o meu par prometo,
que a cumplicidade será constante
enquanto a vontade é incessante.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Móbile
Quando surge a lembrança atônita
deixando torpe o meu sorriso,
meu coração nada saudosista
explode em brado no peito
e traz de volta a essência de cada pretexto,
me lembra a razão do despertar.
...
E tudo segue.
deixando torpe o meu sorriso,
meu coração nada saudosista
explode em brado no peito
e traz de volta a essência de cada pretexto,
me lembra a razão do despertar.
...
E tudo segue.
domingo, 1 de abril de 2012
Espera
Olhar fixo e longínquo,
por hoje é só.
O seu medo cafona
me tocando a face de modo suave,
pra hoje só temos anseios.
Se fosse mais ímpeto que razão
e mostrasse o jogo
talvez lhe tivesse gratuita e curiosa.
Mas não posso.
Não posso provar (a)o mundo
nem (a)o seu prazer.
por hoje é só.
O seu medo cafona
me tocando a face de modo suave,
pra hoje só temos anseios.
Se fosse mais ímpeto que razão
e mostrasse o jogo
talvez lhe tivesse gratuita e curiosa.
Mas não posso.
Não posso provar (a)o mundo
nem (a)o seu prazer.
sábado, 31 de março de 2012
Hipotermia
Mesmo que ficasse sob a sombra,
amuleto repousando ao som do meu ninar;
ainda seria forte demais,
grande demais para viver em um só coração.
Ainda que eu lhe conquistasse,
e prendesse seu amor só pra mim.
Ainda que eu quisesse como nunca
e pagasse com a alma ardida de desejo...
A sentença ainda seria sua, e só sua,
amuleto repousando ao som do meu ninar;
ainda seria forte demais,
grande demais para viver em um só coração.
Ainda que eu lhe conquistasse,
e prendesse seu amor só pra mim.
Ainda que eu quisesse como nunca
e pagasse com a alma ardida de desejo...
A sentença ainda seria sua, e só sua,
Hoje
Vai buscar o néctar,
o sabor que a vida-flor nos deu.
Vamos juntos como um só,
ao nascer do sol
buscar a ilusão no horizonte.
Correr sob o último sol de março,
correr pela última vida,
pelo último sorriso
e pelo eterno recomeço.
o sabor que a vida-flor nos deu.
Vamos juntos como um só,
ao nascer do sol
buscar a ilusão no horizonte.
Correr sob o último sol de março,
correr pela última vida,
pelo último sorriso
e pelo eterno recomeço.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Atena
Os olhos lá e cá,
sorriso acolá.
Natural como chuva,
passeia discreta
e inquestionavelmente presente.
Sei que será,
no seu repente,
tempestade.
Mas ainda verei garoa
sob a luz dos teus raios.
sorriso acolá.
Natural como chuva,
passeia discreta
e inquestionavelmente presente.
Sei que será,
no seu repente,
tempestade.
Mas ainda verei garoa
sob a luz dos teus raios.
Ácido
Queima! E queima fundo
quem acredita que tudo é química e conexão.
Arde muito em quem confia
naquela linda estória:
'reggae roots and love.'
No fim consome, quem não aguenta ser alvo
ou comer três ou mais pontas de setas,
sobrevive indigesto quem,
acima de tudo,
quer dissipar sabedoria.
quem acredita que tudo é química e conexão.
Arde muito em quem confia
naquela linda estória:
'reggae roots and love.'
No fim consome, quem não aguenta ser alvo
ou comer três ou mais pontas de setas,
sobrevive indigesto quem,
acima de tudo,
quer dissipar sabedoria.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Desgosto
Fere a alma,
como a lama no sapato.
Impregna e mancha com desistência
a tua fé.
Não sabes que o mundo é muito...
Diacho! O Muito o quê é?!
como a lama no sapato.
Impregna e mancha com desistência
a tua fé.
Não sabes que o mundo é muito...
Diacho! O Muito o quê é?!
Quem
Finaliza o dia
com sorriso.
Sai batendo sua lata,
nas portas,
nas caras.
Não morde,
não ladra,
é cão puro
de raça boa.
Anda sem parar
e dorme no mesmo portão.
Se lealdade, em nós, houvesse
dormiria na sua porta.
com sorriso.
Sai batendo sua lata,
nas portas,
nas caras.
Não morde,
não ladra,
é cão puro
de raça boa.
Anda sem parar
e dorme no mesmo portão.
Se lealdade, em nós, houvesse
dormiria na sua porta.
terça-feira, 27 de março de 2012
Plenitude
Se surgisse sol,
qualquer dia,
sem data e sem pressa.
Brotasse ao acaso,
com inocência e casualidade
da semente jogada pela janela
sem ao menos conhecer a chuva.
Se então o amanhecer expectante
finalmente repousar em noite de promessas.
Só restaria a áspera verdade
e o que é vivo aos sentidos.
qualquer dia,
sem data e sem pressa.
Brotasse ao acaso,
com inocência e casualidade
da semente jogada pela janela
sem ao menos conhecer a chuva.
Se então o amanhecer expectante
finalmente repousar em noite de promessas.
Só restaria a áspera verdade
e o que é vivo aos sentidos.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Cotidiano
A graça do vento
e das filas de espera,
só vê quem despende tempo
como se a vida fosse uma torneira
deixada aberta dia e noite .
Hora pingando insistente, desfalecida;
outrora jorrando, impetuosa e fascinada,
as vezes tão rápido que não se pode tocá-la
(nem a vida, nem a água).
e das filas de espera,
só vê quem despende tempo
como se a vida fosse uma torneira
deixada aberta dia e noite .
Hora pingando insistente, desfalecida;
outrora jorrando, impetuosa e fascinada,
as vezes tão rápido que não se pode tocá-la
(nem a vida, nem a água).
Apagão
A fúria servida fartamente no copo
matava o corpo
diante do dia
que novo nascia
da líquida escuridão.
Morto sorria
novo queria
ressuscitar parcialmente
e então se sentia menos gente
menos fraco
menos ciente,
e então mais morto
e depois vívido
e morria de novo
no fundo do copo.
matava o corpo
diante do dia
que novo nascia
da líquida escuridão.
Morto sorria
novo queria
ressuscitar parcialmente
e então se sentia menos gente
menos fraco
menos ciente,
e então mais morto
e depois vívido
e morria de novo
no fundo do copo.
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